terça-feira, 23 de março de 2010

Feeling Good



Está acontecendo uma coisa agora que não acontecia há muito tempo. Pessoas novas estão me conhecendo. Ou começando a começar a me conhecer, na verdade.
E faz tempo mesmo. A Mariana, minha amiga mais antiga (amizade iniciada aos sete anos), acompanhou-me por todas as fases. Minha fase alegre e saltitante, minha fase depressiva, minha fase super absurdamente depressiva e minha fase atual, para a qual eu ainda não dei um nome.
Meus segundos amigos mais antigos, Andrey, Karina, Eron, mana, Rêêê pegaram mais ou menos as mesmas fases, embora uma parcela menor da fase simplesmente feliz.
Caminhando mais para o futuro, Jéssica, Mari Pires, Letícia, Buci, Olívia... bem, elas certamente não tiveram a mesma sorte. Ficamos amigas quando eu estava no terceiro ano do Laser. Não que tenha sido um ano terrível, mas eu já não era a garota feliz que costumava ser.

Mesmo essas amizades que fiz por último já acompanharam muita coisa. Descoberta da vida além da heterossexualidade. Tentativa de suicídio. Internação na clínica. Vinte quilos a mais resultantes de dezenove remédios por dia + passar o dia na cama. E tantas coisas...

Mas o assunto original do post: os amigos novos da faculdade. As aulas começaram dia nove de fevereiro, há bem pouco tempo. E essas pessoas só me veem praticamente na parte da manhã ou no início da tarde. O que elas sabem sobre mim?
Nunca me viram gritar de raiva com um amigo por um motivo completamente ridículo, como ter amassado a minha caixinha vazia de cigarros. Nunca receberam ligações desesperadas às quatro da manhã porque terminei de assistir SEX and the CITY e precisava falar com um amigo. Nunca tiveram que me ajudar a limpar o sangue que escorria dos meus braços. Nunca me carregaram pra casa porque eu tomei meus remédios e em seguida vodka. Nunca presenciaram meus escândalos e lágrimas no meio da avenida. Nunca seguraram meu cabelo enquanto eu vomitava cerveja, vodka e catuaba.

E o que eu me pergunto... o que me aflige de verdade é a dúvida: será que eles suportariam? Será que alguém além de meus amigos antigos estaria disposto a passar pelo céu e pelo inferno comigo? Será que eles entenderiam que isso independe de minha vontade? Será que estariam dispostos a suportar todo o caos que eu trago comigo, em troca dos momentos de calma?

Só o tempo vai mostrar.

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