terça-feira, 23 de março de 2010

E aí?



Quando estou só, sinto-me abandonada e imploro por atenção. Quando estou acompanhada, sinto que tudo o que preciso é estar sozinha. Essas mudanças que já são tão comuns para mim ainda acabam comigo. Ligo para uma pessoa, sinto vontade de desligar. Vou na casa de uma amiga, quero voltar pra casa. Abro uma janela no msn, tenho vontade de ficar offline. E quando finalmente estou sozinha, procuro desesperadamente pessoas para falar comigo.

A verdade é que a companhia e a solidão que preciso são muito específicas.
Preciso de um amigo que me abrace, que me abrace muito. Preciso de contato físico. Preciso pegar na mão, preciso deitar no colo, preciso de beijos na bochecha. E preciso de muito olho no olho. Preciso de uma pessoa que fale muito e dê muita risada... mas que saiba ficar em silêncio por um longo tempo, quando toda a conversa necessária é feita por olhares.
E preciso de solidão completa. Preciso poder colocar música alta. Preciso poder escrever a hora que me der vontade, e fumar sentada na sala. Preciso saber que ninguém vai me ouvir se eu gritar, que ninguém vai se assustar se eu jogar um prato na parede, que ninguém vai me olhar com reprovação se eu passar do riso histérico às lágrimas desesperadas num intervalo de poucos minutos.

Preciso...








Saudades, Rafaela.

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