
O sol nasceu e morreu. Hoje, ontem, como todos os dias. E eu não vi. A janela fechada, toda a luz do quarto é artificial. Cama, cobertas, laptop. Os quatro livros que li essa semana estão empilhados ao lado da cama. O nebulizador que me ajudou com a asma no começo da semana ainda está aqui, assim como o roupão roxo, o celular sem bateria há séculos e o wayfarer com a perna quebrada. Tênis perto da porta. A mala com a qual fui para São Lourenço dia primeiro ainda está no canto, com todas as roupas dentro porque não arrumei nada. O resultado dos exames estão no chão. A estante de livros e dvds está desorganizada, porque apesar de lembrar todos os dias de arrumar tudo por título e assunto há semanas, ainda não fiz nada. O relógio está desligado, com o telefone também desligado em cima. O quadro magnético ainda não tem foto nenhuma, porque também não me lembro de colocá-las. Os bilhetes, lembranças e cartas que guardo desde a quinta série estão nas caixas, jogados em cima do rack. O lixo está cheio de fios de cabelo que caíram ou foram arrancados, pedaços de papel amassado e um maço de cigarros vazio. A tv está desligada, e as gavetas todas abertas. As roupas que tenho que colocar pra lavar estão amontoadas atrás da porta. A mochila que não abro também está no chão.
O quarto está cheio de entulho.
E, ainda assim, mais vazio que nunca.
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